O que os dados mostram
Em perspectiva
E se os outros políticos tivessem a taxa do Nikolas?
Visualizações por vídeo que cada político teria se mantivesse a própria base de seguidores, mas com a mesma razão visualizações ÷ seguidores do Nikolas (). É um cálculo hipotético, só para dar escala à diferença.
Idade da publicação × visualizações
Será que os números do Nikolas são maiores só porque os vídeos dele ficaram mais tempo no ar? Aqui cada vídeo aparece com a idade que tinha no dia da coleta, então dá para comparar vídeos da mesma idade.
Cada ponto é um vídeo diferente, medido no mesmo momento (a coleta). O gráfico é um retrato: não mostra um mesmo vídeo crescendo ao longo do tempo. Vídeos mais à esquerda são mais novos e ainda podem ganhar visualizações. Aqui entram todos os vídeos coletados, inclusive os com menos de 3 dias. Os dois eixos estão em escala logarítmica.
Mediana de visualizações ÷ seguidores por faixa de idade
Entre parênteses, quantos vídeos caem em cada faixa. Faixas com poucos vídeos são frágeis; “—” indica que não houve vídeo naquela faixa.
Políticos
Visualizações por seguidor entre políticos
Mediana de visualizações dos vídeos ÷ número de seguidores. Acima de 1 significa que um vídeo típico é visto por mais gente do que o perfil tem de seguidores.
Engajamento por visualização
Média de (curtidas + comentários) ÷ visualizações por vídeo. Aqui o Nikolas : os vídeos dele alcançam muita gente, mas proporcionalmente menos pessoas interagem.
Interação em relação aos seguidores
Se as visualizações de um perfil viessem de exibições sem público real interagindo, a expectativa seria ver poucas curtidas e comentários em relação ao alcance. Para checar isso, comparamos a mediana de curtidas ÷ seguidores e de comentários ÷ seguidores por vídeo, nos mesmos 12 vídeos.
Regularidade das visualizações
Mede o quanto as visualizações variam de um vídeo para outro no mesmo perfil. O coeficiente de variação (desvio padrão ÷ média) é baixo quando os vídeos têm alcance parecido e alto quando poucos vídeos concentram as visualizações. A razão p90/p10 compara um vídeo “bom” (percentil 90) com um “fraco” (percentil 10) do mesmo perfil.
Vídeos fora da curva
Para cada vídeo com 3 dias ou mais, comparamos curtidas ÷ visualizações com a mediana do próprio perfil. Um vídeo é marcado quando essa taxa fica abaixo de 50% da mediana do perfil, ou seja, muitas visualizações para pouca interação, em comparação com o padrão daquele perfil. Comentários ÷ visualizações aparecem como informação complementar, já que os números de comentários são menores e oscilam mais.
Comentários por curtida
Mediana de comentários ÷ curtidas por vídeo, nos 12 vídeos analisados. Uma razão alta indica mais conversa (apoio, perguntas, debate ou críticas) em relação à aprovação silenciosa da curtida. Uma razão baixa indica que a interação é mais de curtir do que de comentar. Nenhum dos dois padrões é bom ou ruim em si.
Por que tanto alcance? Pistas nos dados
Seis comparações feitas só com os dados públicos já coletados. Elas mostram padrões, não causas: servem para levantar hipóteses, não para concluir.
1. Quantos vídeos por dia
2. Duração dos vídeos
3. Horário de publicação
4. Estilo de legenda
5. Temas das legendas (políticos)
Como os temas foram classificados
6. Tom dos comentários (amostra)
Como o tom foi classificado
Classificação automática por palavras-chave e emojis, na ordem: crítica (linguagem negativa ou ofensiva, nem sempre dirigida ao dono do perfil) → apoio (elogios, agradecimentos, emojis como 🙏👏❤️🇧🇷) → pergunta (tem “?”) → neutro. Comentários com 20+ caracteres que aparecem idênticos 2 ou mais vezes na amostra do perfil contam como repetitivos (copia-e-cola). A amostra são os ~15 comentários mais recentes de cada vídeo que vieram na coleta. Ironia e sarcasmo não são detectados, então a crítica tende a ficar subestimada. Nenhum nome de usuário ou texto de comentário é publicado: só as porcentagens. Perfis com comentários majoritariamente em outros idiomas (Cristiano e Messi) ficaram de fora.
Ele paga para aparecer?
Resposta curta: em parte, sim, mas não nesta conta e não neste momento. A campanha de 2026 dele pagou R$ 309,9 mil em anúncios na Meta entre agosto e 3/10/2026, por outra página (Nikolas Ferreira BR). A conta que analisamos (@nikolasferreiradm) não tem anúncios em 2026. O vídeo de 108 milhões saiu em 20/10, depois do último anúncio, e a última semana com dados (11 a 17/10) teve gasto zero nas duas páginas.
R$ 309,9 mil
Campanha 2026 na Meta
Anúncios na página Nikolas Ferreira BR pagos pela campanha, de agosto a 3/10/2026.
R$ 0
Gasto de 11 a 17/10
Nas duas páginas, na última semana disponível na consulta de 20/10.
R$ 123 mil
Impulsionamento declarado ao TSE
Até 5/10/2026, sendo R$ 103 mil para o Facebook. As contas de 2026 ainda são parciais.
0 anúncios
Em 2026, na página principal
A página Nikolas Ferreira, ligada ao @nikolasferreiradm, tem cerca de 89 anúncios antigos, de 2020 e 2022, somando R$ 33,2 mil.
A página Nikolas Ferreira BR também teve R$ 286,8 mil em anúncios pagos pela empresa Destra Cursos, em 2024 e 2025, e R$ 17,6 mil pagos pela própria página, segundo a Biblioteca.
O que não dá para saber
- Se algum desses anúncios impulsionou os vídeos do @nikolasferreiradm analisados aqui. A Biblioteca mostra a página que anunciou, e o detalhe de cada anúncio não abre sem login.
- Se as visualizações vindas de anúncios entram no contador público de visualizações do Reel.
Fontes: Biblioteca de Anúncios: Nikolas Ferreira ↗ · Biblioteca de Anúncios: NIkolas Ferreira BR ↗ · TSE, DivulgaCandContas ↗
Como pesquisamos
- Abra facebook.com/ads/library (não precisa de login).
- País: Brasil. Categoria: Temas sociais, eleições ou política.
- Digite “Nikolas Ferreira” e escolha o anunciante na lista: primeiro Nikolas Ferreira (@nikolasferreiradm), depois NIkolas Ferreira BR (@nikolasferreirabr).
- Em Filtros, mude Status online para Anúncios ativos e inativos e aplique. Atenção: o padrão é “Anúncios ativos”, e como nenhum anúncio está rodando agora, a Biblioteca mostra “Nenhum anúncio corresponde aos seus critérios de pesquisa”.
- Na aba Sobre de cada página estão o “Valor total gasto”, o “Gasto por rótulo” (quem pagou) e o “Gasto da semana passada”. Para ver as datas dos anúncios, use o filtro Impressões por data.
- No TSE: divulgacandcontas.tse.jus.br → Eleição Geral Federal 2026 → Minas Gerais → Deputado Federal → Nikolas Ferreira → prestação de contas → despesas → “Despesa com Impulsionamento de Conteúdos”.
Consulta feita em 20/10/2026, entre 23h10 e 23h40 (horário de Brasília). Os valores da Meta são estimativas da própria Biblioteca, e anúncios novos aparecem nela em até 24 horas.
Contexto
Em 20/10/2026, o Conselho de Supervisão da Meta disse estar preocupado com “falhas recorrentes” na moderação de conteúdo eleitoral no Brasil e cobrou mais transparência da empresa. Na mesma reportagem, a Meta reconhece um “incidente técnico de alcance global” que bloqueou a contagem de visualizações em 7 de outubro, das 1h50 às 19h49, e nega ter favorecido qualquer candidatura (Estadão).
Em 19/10/2026, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, deu 24 horas para a Meta comprovar que cumpriu a decisão que exige igualdade na distribuição de conteúdos políticos e de anúncios no segundo turno, incluindo esclarecimentos sobre os sistemas de recomendação. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro acionaram a Justiça Eleitoral alegando que seus conteúdos foram prejudicados (g1).
Essas notícias não tratam do Nikolas Ferreira. Elas mostram por que a forma como o algoritmo distribui conteúdo político está em debate agora.
Como interpretar
Resposta curta: com dados públicos, não dá para cravar. O que dá para ver de fora não tem sinal de robôs: as curtidas acompanham as visualizações, e nenhum dos 24 vídeos sai do padrão. A campanha dele pagou anúncios na Meta até 3/10, por outra página; o vídeo de 108 milhões saiu depois disso. O que não dá para ver é como o algoritmo do Instagram decide mostrar esses vídeos a quem não segue a conta, e é exatamente isso que o TSE está cobrando da Meta.
Ter muito mais visualizações do que seguidores é uma anomalia estatística em relação aos outros perfis, não uma prova de nada. Há várias explicações comuns e legítimas, e elas podem atuar juntas:
- Distribuição do algoritmo para não seguidores: o Instagram recomenda vídeos na aba Reels e no Explorar para quem não segue o perfil. Quando um vídeo retém bem a atenção, ele pode alcançar várias vezes a base de seguidores.
- Compartilhamentos e reposts: vídeos enviados por DM, postados nos stories ou republicados por outras contas e grupos trazem visualizações de fora da base de seguidores.
- Impulsionamento pago: publicações impulsionadas também somam visualizações de pessoas que não seguem o perfil. Esta análise não consegue separar o alcance pago do orgânico. O que a Biblioteca de Anúncios da Meta mostra no caso dele está em Ele paga para aparecer?.
- Temas polêmicos ou de grande repercussão: conteúdos que provocam reação forte, a favor ou contra, tendem a circular mais, inclusive entre quem discorda e comenta ou compartilha para criticar.
- Formato e frequência: duração, edição, ritmo de postagem e o momento do ciclo de notícias (período eleitoral) também mudam o alcance.
Os dados públicos coletados aqui não permitem distinguir entre essas explicações nem atribuir o alcance a uma causa específica.
Todos os perfis
Metodologia
- Fonte: dados públicos do Instagram coletados via Apify (atores
instagram-profile-scrapereinstagram-reel-scraper) em . - Amostra: até 12 vídeos mais recentes de cada perfil com pelo menos 3 dias de publicados. Vídeos com menos de 3 dias ficaram fora porque ainda estão acumulando visualizações. A exceção é a seção “Idade da publicação × visualizações”, que usa todos os vídeos coletados.
- Só vídeos do próprio perfil: parcerias (collabs) publicadas por outras contas que aparecem no perfil foram descartadas.
- Mediana em vez de média para visualizações: um único viral distorce a média, e a mediana mostra o desempenho de um vídeo típico. A média também aparece na tabela.
- Engajamento = (curtidas + comentários) ÷ visualizações, calculado vídeo a vídeo e depois tirada a média. Vídeos com curtidas ocultas contam como 0 curtidas.
- Grupos: as comparações e médias são feitas dentro de cada grupo (políticos, famosos brasileiros, famosos globais), nunca misturando grupos.
- Contadores do Instagram: em outubro de 2026, a Meta reconheceu um incidente técnico global que bloqueou a contagem de visualizações de publicações em 7 de outubro, das 1h50 às 19h49 (Estadão, 20/10/2026). Falhas desse tipo podem afetar os contadores públicos usados nesta análise.
- População do Brasil (comparação do vídeo de 108 milhões): IBGE, estimativa 2025, 213,4 milhões de habitantes. Visualizações não são pessoas únicas.
- Anúncios pagos: consulta à Biblioteca de Anúncios da Meta em 20/10/2026, entre 23h10 e 23h40, sem login. País Brasil, categoria “Temas sociais, eleições ou política”, status “Anúncios ativos e inativos” (o padrão, “Anúncios ativos”, não mostra nada porque não há anúncios rodando agora), anunciantes “Nikolas Ferreira” e “NIkolas Ferreira BR”. Totais e gasto por rótulo na aba “Sobre” de cada página; datas com o filtro “Impressões por data”. No TSE, DivulgaCandContas → Eleição Geral Federal 2026 → MG → Deputado Federal → Nikolas Ferreira → prestação de contas → despesas → “Despesa com Impulsionamento de Conteúdos” (atualização de 5/10/2026). Passo a passo na seção Ele paga para aparecer?.
- Limitações: a amostra é pequena (12 vídeos), a coleta foi em período eleitoral (alta atividade) e as visualizações são as reportadas pelo próprio Instagram. Para os perfis que postam dezenas de vídeos por dia, foi preciso coletar mais vídeos até chegar a 12 com 3 dias ou mais.
